Com as alegrias e tristezas, com os sorrisos e as lágrimas, com as paixões e os desamores que vivi, eu descobri que pouco do que sentimos tem a ver com escolha pessoal. A gente não tem controle sobre quase nada no que pertine aos sentimentos. A gente não escolhe por quem vai se apaixonar e não há razão lógica alguma. Não é porque é alto, bonito, ombros largos e mãos fortes; não é porque é doce, delicado, educado e gentil; não é porque sabe dirigir bem e cantar afinadinho baixinho ao pé do ouvido... É porque é aquela pessoa, é o jeito dela, o cheiro dela, o beijo dela e fim. Ninguém mais no mundo olha nos seus olhos daquele jeito e pronto, isso basta.
A gente também não escolhe quem serão nossos melhores amigos. É uma empatia que nasce quase instantânea e recíprocamente e cresce e vira rotina, vira bem querer, vira amor. A pessoa estava lá quando você furou o pneu do carro às 18h, antes da prova final daquela cadeira da faculdade. A pessoa estava lá quando você terminou aquele namoro de anos e as lágrimas pareciam não ter fim. Estava lá também quando você e aquele alguém especial fizeram juras de amor na frente de um juiz de paz. Estava lá quando seu filho nasceu, segurou sua mão, comprou revistas, brindou na maternidade com pessoas queridas. A pessoa estava lá com ombros, mãos, braços, abraços, dinheiro, carro, lexotan e o que mais fosse preciso quando o pior de todos os momentos aconteceu. E esteve, está e estará sempre.
Acontece, vezenquando, das pessoas sumirem das nossas vidas. Em se tratando de amor, é difícil, dói tanto, faz caquinhos do coração... Entra-se num período de luto pelo fim da relação. E eu, particularmente, acho que um ex-amor pode virar, sim, perfeitamente, uma linda amizade. Em se tratando de amizade, na maior parte das vezes, não é nada, é um distanciamento temporário, é um afastamento com prazo de validade. Porque quando a gente quer bem a alguém, a gente sabe que longos períodos de silêncio servem apenas para alongar conversas futuras. A não ser que. E é esse o ponto que eu queria falar. A não ser que haja feridas que não foram tratadas e nem cicatrizadas.
E as feridas, minha gente, podem gangrenar e apodrecer qualquer relação, por mais amor que exista, por maior que seja a consideração, por mais que seja longa e duradoura a relação. As feridas mais profundas necessitam de tratamento intensivo e cauteloso, vigília constante e antibióticos potentes. As feridas são as únicas capazes de desatar laço por laço, de dizimar o bem querer, de exterminar a reciprocidade de qualquer relação. As feridas, se não tratadas e cuidadas com carinho e afeto, podem fazer nascer desdém onde antes existia amor; fazer brotar incredulidade onde antes havia confiança; fazer crescer indiferença no mesmo coração que nutriu todo o bem querer. A gente não tem poder sobre aquilo que sente e quando alguém nos fere, o que nos resta a fazer é informar que doeu. Uma vez informado, espera-se pela capacidade do outro de entendimento e percepção do mal causado.
Não sei até que ponto é possível cicatrizar o que foi ferido por objeto perfuro-cortante pronfundo demais. Também não sei se as feridas antigas realmente se fecham. De todo modo, eu SEI que a gente não tem controle sobre o que sente e sei (espero) também que resta uma enorme cicatriz no depois.
Fato, se você não informa que foi ferido ou magoado, muito dificilmente a outra pessoa saberá, e daí é um caminho sem volta para o fim de qualquer relacionamento. =)
ResponderExcluircUrti demais esse texto! =D